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Cooperativa:
uma nova ferramenta de Desenvolvimento Social
Eduardo
Pastore
Cooperativas
de crédito são entidades sem fins lucrativos cujo objetivo principal é possibilitar
melhores condições de economia e crédito àqueles que dela fazem
parte. Seus aspectos econômicos se materializam por meio da
prestação de serviços financeiros aos seus associados, tais
como concessão de crédito, captação de depósitos a vista e a
prazo, cheques, prestação de serviços de cobrança, de custódia,
de recebimento e pagamento de contas por terceiros, enfim, fazendo
tudo o que uma instituição financeira tradicional faz, mas objetivando
o crescimento do seu grupo de sócios-cooperados e não o lucro.
Este
tipo de sociedade de pessoas se espraia por todos os continentes.
Na Alemanha, por exemplo, cooperativas de crédito congregam
aproximadamente 15 milhões de associados, respondendo por 20%
de todo o movimento financeiro-bancário do país. Na Holanda,
o Banco Cooperativo Rabobank, atende a mais de 90% das demandas
financeiras rurais. Na Europa, estima-se que 46% do total das
instituições de crédito na Europa são cooperativas. Já no Brasil,
em 2005, o cooperativismo de crédito era representado por cerca
2% das operações de crédito realizadas no âmbito bancário do
sistema financeiro nacional.
Seu
viés social se materializa com a preocupação da elevação do Índice
de Desenvolvimento Humano da região onde se instala. Certamente é um
dos aspectos mais importantes das cooperativas de crédito.
O Índice
de Desenvolvimento Humano é o mais conhecido indicador social
da atualidade e mede o nível de desenvolvimento dos países utilizando
como critérios três parâmetros: educação, longevidade e renda.
O IDH está também relacionado com o capital social e desenvolvimento
local. As teorias mais modernas que tratam do capital social,
informam que somente variáveis econômicas não são suficientes
para produzir desenvolvimento social justo. Afirmam que o crescimento
econômico não produz o necessário desenvolvimento social, demonstrando
ainda que as instituições são elementos chaves na resolução
do problema do acesso aos benefícios econômicos e de sua repartição.
Por fim, alguns autores afirmam que as redes de compromisso
cívico, as normas de confiança mútua, e a riqueza do tecido
associativo são fatores relevantes para a promoção da justiça
social, mais especificamente, da justiça distributiva. O desenvolvimento
local, como se sabe, envolve fatores sociais, culturais e políticos,
que não se regulam exclusivamente pelo mercado.
A
quebra de paradigma da cooperativa de crédito, por assim dizer,
se localiza neste aspecto. Estes são meios solidários de democratização
do crédito, que proporcionam o acesso ao mesmo por meio da desconcentração
do capital, visto que não se apresentam como entidade de único
dono que visa lucro, mas de vários donos que interagem movidos
pelo ideal do ‘bem comum‘. O impacto social da cooperativa de
crédito ocorre pela via econômica com o fenômeno da massificação
do crédito. Esta condição, quando presente, provoca a elevação
das condições básicas de acesso educação, melhoria da qualidade
de vida e renda (elementos constituintes do IDH).
Cooperativas
de crédito, portanto, são empreendimentos socioeconômicos, que
visam o bem comum, por meio de acesso democrático ao crédito,
por estes requisitos, classificadas como empreendimentos econômicos
solidários que difundem e implementam o conceito de justiça
social.
Neste
contexto, surge agora uma nova modalidade de cooperativa de
crédito, o modelo regional. Experiência até hoje única no meio
empresarial, nasce pela primeira vez na região de Ribeirão Preto
e congrega inicialmente dezesseis cidades. Considerada modelo
no meio cooperativista e aprovada em termo recorde pelo Banco
Central do Brasil, a Sicoob Cooperac traz como foco principal
o desenvolvimento sustentado não de uma única cidade, mas de
sua região, o que em longo prazo trará o crescimento e fortalecimento
da indústria, comércio e prestação de serviços.
Maior
novidade que esta, é saber que como a Sicoob Cooperac, estão
surgindo mais cinco cooperativas de crédito regional, dentre
elas a Sicoob Cooperaso - Cooperativa de Economia e Crédito
Mútuo dos Empresários de Sorocaba e Região, a primeira neste
modelo na sua região. Com 15 cidades em sua área de ação (Conchas,
Tietê, Porto Feliz, Cerquilho, Itu, Mairinque, Piedade, Pilar
do Sul, Salto, Salto de Pirapora, São Roque, Sorocaba, Boituva,
Ibiúna e Votorantim), a cooperativa atenderá desde o micro e
pequeno empresário até o grande em todos os produtos e serviços,
inclusive em aplicações. É o início de uma nova fase da democratização
do crédito no país que surge graças ao trabalho das Associações
Comerciais onde estarão instaladas até a maior das instâncias
da regulamentação das instituições financeiras, o Banco Central
do Brasil.
Eduardo
Pastore é mestre em Direito das Relações Sociais pela PUC-SP
e autor do projeto jurídico da Sicoob Cooperac e Sicoob Cooperaso
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